6 coisas que aprendi viajando sozinha

Desde que me conheço por gente, quis viajar sozinha. Viagem com amigo não conta; nem aquelas horinhas sozinho no avião pra visitar a família em outra cidade.

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Aos 15 anos eu implorei pra ir com a turma do inglês pra Londres, e me disseram que seria muito caro.

Aos 20, quase fui pra Lisboa cursar umas matérias da faculdade de Direito, mas eu estava rumo ao fim do curso e queria me formar logo.

Aos 25, decidi que seria a hora “certa”, porque seria uma viagem realmente ~sozinha, e eu já teria condições de pagar (embora não seja uma Tio Patinhas).

Preferi ficar em hotéis simples do que em hostels (um dia quem sabe eu fique em hostel, mas eu queria ficar bem na minha e fazer meus passeios e meus horários – leia-se “queria dormir em paz e deixar minhas coisas espalhadas no quarto sem medo de alguém pegar”).

Foram 18 dias longe de casa. Não é muito tempo, mas acho o suficiente pra você ter essa primeira experiência.

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E aí vão 6 coisas que eu aprendi nessa viagem (bem resumidas), e que eu acho que vão me marcar pro resto da vida!

1. Você passa a ter mais precaução

Por mais que você seja uma pessoa responsável, os hábitos em outros países são diferentes.

Eu cheguei uma hora antes no aeroporto de Londres pra viajar pra Dublin, mas o procedimento de segurança durou quase uma hora – tive que tirar várias coisas da bagagem e passar pelos detectores só de blusa e calça. Acontece que até chegar no portão de embarque, vai uns quinze minutos, e daí até o terminal, mais uns quinze. Perdi o voo e tive que pagar uma multa de atraso!

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Então agora chego sempre com muita antecedência nos lugares – mais do que o normal no Brasil. Levo carregador de celular, livro, fones… o tempo não passa enquanto se espera, mas pelo menos você não perde o compromisso!


2. Você entende que estamos nesse mundo sozinhos

Estar a milhares de quilômetros das pessoas queridas dá uma tristezinha. As conversas do dia a dia acabam ficando mais superficiais, mesmo com ligações por vídeo. Ninguém tá ali pra compartilhar aquele momento com você, seja ele bom ou ruim. É você e você.

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Se você precisar de uma ajuda “simples” na rua, do tipo carregar uma mala ou ser levada a uma farmácia/hospital, ok, o povo ajuda. Mas ninguém vai te parar na rua perguntando por que você está triste, nem vai te abraçar, nem dar conselhos. No emocional, é você e você. Se vira nos 30.

Mas não acho isso de todo ruim. Viemos e partimos desse mundo sozinhos, então de alguma forma temos que encontrar as respostas dentro de nós mesmos.

3. Você se joga no inglês

Eu tinha/tenho vergonha de errar uma vírgula no inglês. Da primeira vez que eu fui pra Londres, achavam que eu era estudante lá e que meu inglês era ótimo. Fiquei toda toda.

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Sete anos depois eu volto pra cá com um inglês enferrujado, mas dou a cara à tapa. É a única forma de conseguir o que você quer e aprender coisas novas. Ninguém vai ter paciência de fazer mímica com você. Pega o the book is on the table e vai.


4. Você entra num relacionamento sério com você mesmo

Como eu disse acima, é você e você. Tá mal? Gripado? Enjoado? Depressivo? Querendo se matar? É você que vai ter que superar. Alguém pode te mandar uma mensagem fofa do outro lado do mundo, mas no fim das contas só depende de você.

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Eu passei por dois dias assim; e por mais que algumas pessoas tenham ajudado, não fiquei bem de uma hora pra outra. Nessas horas eu saía pra rua e caminhava – pra qualquer direção; o negócio é não ficar parado porque a tristeza aumenta!


5. Você se abre a novas experiências

Admito que em uns dias eu não queria nada novo e comia no Subway. Mas uma hora enjoa. Aí você passa a comer pudding quando não gosta de porco, toma suco de cranberry no café da manhã (pensa num gosto de gelatina aguada), come fish and chips com cerveja preta, é surpreendido por umas comidas que você não imaginava que seriam apimentadas… mas tá tudo bem!

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Eu acho que em viagem não dá pra fazer muito drama com comida. Tendo higiene, manda pra dentro. São só hábitos diferentes, e no final, essas coisas que vão marcar.

Fiz algumas amizades também em alguns tours pra cidades (não tão) próximas. Conheci americanos, tailandeses, coreanos. Achei engraçado que uma coreana disse que eu era muito animada (?) e divertida. Então tá né… no Brasil eu seria uma pessoa “reservada”, rs.


6. Você valoriza mais suas raízes

Embora você veja gente de tudo que é lugar, aproveita o primeiro mundo embasbacado (nossa, as calçadas são perfeitas, o transporte público é ótimo, tudo é bonitinho e florido etc), nenhum lugar é como a nossa casa.

De alguma forma, o lugar de nascença exerce uma força “gravitacional” sobre nós (já diria Gonçalves Dias… ou Guimarães Rosa? Kkk).

A gente reclama e reclama, mas adora nossa cidade, nosso país.

Lembro que nos aeroportos, não havia fila preferencial para idosos, e uma velhinha achou muito fofo quando eu cedi meu lugar na fila. Ela até disse “não sei por quê, mas obrigada”. É cada um por si.

Nas lojas, ninguém vem perguntar “quer ajuda?”, ao sair do metrô com um monte de mala, ninguém diz “deixa eu ajudar” (tá, mentira, teve um cara que me ajudou nas escadas).

Mas o que eu sinto é que na Inglaterra (principalmente) e na Irlanda, as pessoas estão muito centradas em si mesmas. Só os mais idosos cumprimentam, porque os jovens e adultos normalmente estão muito ocupados lendo jornal ou smartphone. A cara blasée deles me marcou muito. A falta de expressão. Não vi nenhum chorando ou gargalhando. Me pareceu algo meio robótico.

Senti falta do sangue latino.

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